sexta-feira, 19 de outubro de 2007

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Bebes - Graficos & Glitters Para Orkut


Imagens & Glitters Para Orkut

Receita de mulher

As muito feias que me perdoem
Mas beleza é fundamental. É preciso
Que haja qualquer coisa de flor em tudo isso
Qualquer coisa de dança, qualquer coisa de haute couture
Em tudo isso (ou então
Que a mulher se socialize elegantemente em azul, como na República Popular Chinesa).
Não há meio-termo possível. É preciso
Que tudo isso seja belo. É preciso que súbito
Tenha-se a impressão de ver uma garça apenas pousada e que um rosto
Adquira de vez em quando essa cor só encontrável no terceiro minuto da aurora.
É preciso que tudo isso seja sem ser, mas que se reflita e desabroche
No olhar dos homens. É preciso, é absolutamente preciso
Que seja tudo belo e inesperado. É preciso que umas pálpebras cerradas
Lembrem um verso de Éluard e que se acaricie nuns braços
Alguma coisa além da carne: que se os toque
Como no âmbar de uma tarde. Ah, deixai-me dizer-vos
Que é preciso que a mulher que ali está como a corola ante o pássaro
Seja bela ou tenha pelo menos um rosto que lembre um templo e
Seja leve como um resto de nuvem: mas que seja uma nuvem
Com olhos e nádegas. Nádegas é importantíssimo. Olhos então
Nem se fala, que olhe com certa maldade inocente. Uma boca
Fresca (nunca úmida!) é também de extrema pertinência.
É preciso que as extremidades sejam magras; que uns ossos
Despontem, sobretudo a rótula no cruzar das pernas, e as pontas pélvicas
No enlaçar de uma cintura semovente.
Gravíssimo é porém o problema das saboneteiras: uma mulher sem saboneteiras
É como um rio sem pontes. Indispensável.
Que haja uma hipótese de barriguinha, e em seguida

A mulher se alteie em cálice, e que seus seios
Sejam uma expressão greco-romana, mas que gótica ou barroca
E possam iluminar o escuro com uma capacidade mínima de cinco velas.
Sobremodo pertinaz é estarem a caveira e a coluna vertebral
Levemente à mostra; e que exista um grande latifúndio dorsal!
Os membros que terminem como hastes, mas que haja um certo volume de coxas
E que elas sejam lisas, lisas como a pétala e cobertas de suavíssima penugem
No entanto, sensível à carícia em sentido contrário. É aconselhável na axila uma doce
relva com aroma próprio
Apenas sensível (um mínimo de produtos farmacêuticos!).
Preferíveis sem dúvida os pescoços longos
De forma que a cabeça dê por vezes a impressão
De nada ter a ver com o corpo, e a mulher não lembre
Flores sem mistério. Pés e mãos devem conter elementos góticos
Discretos. A pele deve ser frescas nas mãos, nos braços, no dorso, e na face
Mas que as concavidades e reentrâncias tenham uma temperatura nunca inferior
A 37 graus centígrados, podendo eventualmente provocar queimaduras
Do primeiro grau. Os olhos, que sejam de preferência grandes
E de rotação pelo menos tão lenta quanto a da Terra; e
Que se coloquem sempre para lá de um invisível muro de paixão
Que é preciso ultrapassar. Que a mulher seja em princípio alta
Ou, caso baixa, que tenha a atitude mental dos altos píncaros.
Ah, que a mulher de sempre a impressão de que se fechar os olhos
Ao abri-los ela não estará mais presente
Com seu sorriso e suas tramas. Que ela surja, não venha; parta, não vá
E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer beber
O fel da dúvida. Oh, sobretudo
Que ela não perca nunca, não importa em que mundo
Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade
De pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma
Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre
O impossível perfume; e destile sempre
O embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto
Da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina
Do efêmero; e em sua incalculável imperfeição
Constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação imunerável.

Vinícius de Moraes

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Trechos que gosto pois Ela disse tudo!



"Chega a ser curioso pensar se os sonhos farão alguma diferença, ou a "liberdade", ou a "democracia". Acho que não; penso que só se pensará em comer, onde dormir e como refazer a vida entre os destroços da humanidade.
(...)
Ah, é duro para mim me reconciliar com isso tudo. Talvez por isso eu seja uma moça — assim posso viver com mais segurança que os rapazes que conheci e invejei, ter filhos e instilar neles o desejo intenso de aprender e amar a vida que eu jamais chegarei a sentir plenamente, pois não há tempo, pois não há mais tempo, em vez disso há o medo súbito e desesperado, o relógio que bate e a neve que cai de repente demais após o verão. Certo, sou dramática e meio cínica, indolente e meio sentimental. Mas nos anos fáceis poderei amadurecer e descobrir meu caminho. Agora estou vivendo numa situação crítica.
(...)
Preciso assumir uma postura calma e lutar contra o demônio dentro de mim, sem jamais lhe dar a dignidade de uma aparição pública, fugindo dele, sem cair em suas garras.
(...)

"Tenho escolha: fugir da vida e me desgraçar para sempre, pois não posso ser perfeita de cara, sem dor e fracasso, ou enfrentar a vida em meus próprios termos e "fazer o melhor possível"."... Não creio em Deus como uma espécie de pai do céu. Não acredito que os simples herdarão a terra. Os simples são ignorados e espezinhados. Eles se decompõem no solo ensanguentado da guerra, dos negócios e da arte; apodrecem sob a terra morna após as chuvas da primavera. Os ousados, cruéis, cheios de vida, revolucionários, poderosos de corpo e alma, estes marcham sobre a carne mole pacata que jaz sob o tacão de suas botas."

(Sylvia Plath - Diários)

E não é isso mesmo? Quem defende os que não têm voz pra gritar?


Sylvia Plath

sábado, 13 de outubro de 2007

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

ELEGIA



Nem os dias longos me separam da tua imagem.

Abro-a no espelho de um ceu monotono, ou

deixo que a tarde a prolongue no tedio dos

horizontes. O perfil cinzento da montanha,

para norte, e a linha azul do mar, a sul,

do-lhe a moldura cujo centro se esvazia

quando, ao dizer o teu nome, a realidade do

som apaga a ilusao de um rosto. Entao, desejo

o silencio para que dele possas renascer,

sombra, e dessa presenca possa abstrair a

tua memoria.

Nuno Judice

Poema enjoadinho "pelo dia das criancas!"



Filhos . . . Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-lo?
Se não os temos
Que de consulta
Quanto silêncio
Como os queremos!
Banho de mar
Diz que é um porrete . . .
Cônjuge voa
Transpõe o espaço
Engole água
Fica salgada
Se iodifica
Depois, que boa
Que morenaço
Que a esposa fica!
Resultado: filho.
E então começa
A aporrinhação:
Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu botão.
Filhos? Filhos
Melhor não tê-los
Noites de insônia
Cãs prematuras
Prantos convulsos
Meu Deus, salvai-o!
Filhos são o demo
Melhor não tê-los . . .
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!
Chupam gilete
Bebem xampu
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!

Vinícius de Moraes

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Livros...


O escritor argentino Jorge Luis Borges dizia que as bibliotecas estão povoadas de espíritos, pois livros são como sarcófagos onde hibernam as almas dos autores. Sim, gênios literários são capazes de derramar a essência do próprio espírito nas entrelinhas dos textos. Da viscosidade das narrativas emergem idéias e sensações que, ao serem interpretadas na leitura, ressuscitam e flutuam pela nossa imaginação, passando a iluminar as profundezas de nossa inconsciência. É por isso que grandes escritores tornam-se imortais. Eles renascem em pedaços a cada lampejo de nossa inteligência no exercício da leitura de suas obras.
Quando nos debruçamos sobre um livro e nos deixamos hipnotizar pelo espírito do autor, somos levados, passo a passo, a um labirinto de experiências novas que magnetizam nossa alma e inspiram nossa percepção. Através da literatura percebemos constelações de realidades invisíveis e enxergamos a multiplicidade de possibilidades da vida; mas é imprescindível travar esse contato na juventude, de preferência antes dos 20 anos, pois nesse período nossa alma ainda está fresca, maleável, sedenta de vida e repleta de eletricidade. Velhos têm a alma seca, dura, enfastiada e escura. Tornar-se adulto sem mergulhar na literatura embrutece a alma. Quem passa pela vida sem curtir a experiência literária deixa de vivenciar uma das sutilezas mais delicadas do espírito humano.
Quando falo de literatura em sala de aula, meus alunos sempre me cobram sugestões para iniciar-se nessa descoberta. Eis aí, então, uma pequena lista de alguns escritores que fizeram minha cabeça na adolescência. Na verdade, eles mais me perturbaram do que ofereceram respostas; mas é justamente por isso que são bons: é assim que eles ensinam a pensar. Deixei de lado os autores que li depois dos 20, pois a idéia aqui é dizer coisas que de fato interessem a uma jovem mente inquieta. Evidentemente, prefiro mencionar escritores, e não as obras, porque a essência de cada autor dificilmente se reduz a um livro só. Por fim, se cada um deles me ensinou alguma coisa diferente, não quer dizer que ensinem as mesmas coisas a outros leitores. A lista é totalmente anárquica; os escritores se sucedem de acordo com as regras secretas de minha memória. Sugiro que você leia com calma, parando de autor em autor, para refletir bravamente sobre cada uma das provocações. É assim que se faz.
Pois bem, com William Burroughs aprendi que não devemos acreditar em ninguém nem tampouco duvidar do que quer que seja. Com Gabriel García-Marquez, que a ficção é mais real que essa fantasia que chamamos de realidade. Com Jorge Castañeda, que o mundo é muito mais colorido do que suportam os olhos. Com Lewis Carrol, que a lógica da realidade é incoerente, mas as coisas são assim mesmo. Com Jorge Luis Borges, que o enigma é perene, pois a mente humana é um labirinto de espelhos.
Dostoievski me mostrou que somos povoados por demônios: nossos maiores inimigos estão dentro de nós mesmos. Com Montaigne, aprendi que filosofar é aprender a morrer. Com Nabokov, percebi que a inocência pinta o demônio de rosa. Com Voltaire, que o otimismo aleija. Com Turgeniev, que amor e rancor tropeçam no baile da rima. Brönte iluminou com trevas as profundezas do amor. Com Choderlos de Laclos, aprendi que a paixão é um suicídio no abismo.
Com George Simenon percebi que os homens perspicazes não fazem mais que tatear suas dúvidas até que o acaso ilumine uma intuição. Com Oswald de Andrade descobri que um intelectual é um canibal. Com Millôr Fernandes aprendi que quando a gente menos espera, o óbvio nos surpreende. Com Aldous Huxley, que o mundo é do tamanho de nossa percepção. Ele me mostrou também que pensar é um enorme prazer. Com Oscar Wilde, aprendi que a melhor maneira de se livrar de uma tentação é cedendo a ela. Com Jack Kerouac, que o improviso da vagabundagem é o supra-sumo da criatividade selvagem. Com Campos de Carvalho, que a lucidez é um disfarce da loucura.
Com Tolstoi, percebi que o caráter é a maior medida do homem. Com Herman Hesse, que é preciso subir as escadas do inferno para alcançar o céu. Com Gogol, que o humano é um animal ridículo, do berço ao caixão. Com Nietzsche, que o projeto humano é superar-se ao infinito. Com Salinger, que a autoconfiança se ergue sob um pântano de insegurança. A propósito, se eu devesse indicar apenas um livro a um adolescente, sugeriria O Apanhador no campo de centeio, de Salinger.
Com George Orwell aprendi que podemos ser controlados feito um pacote de presunto se deixarmos os políticos apropriarem-se do poder do Estado. Com Mário de Andrade, que o Brasil não tem história: tem rapsódia. Com Mário Quintana, que o autodidata é um ignorante por conta própria (que na minha opinião, ainda é melhor que o ignorante graduado...).


Com Fernando Pessoa, aprendi que o homem é divino mesmo sem a existência de Deus. Com Saramago, que o limite entre o homem e a besta é um fio de ficção. Com Rachel de Queiroz, que a mulher é um gigante amedrontado. Com Kafka, que quando o inacreditável torna-se comum, nossa sensibilidade se anestesia. Com Paulo Leminski aprendi que a poesia pode te virar do avesso. Com o Chacal, que poesia é caso de polícia. Com Allen Ginsberg, que a poesia é um entorpecente. Com Rimbaud, que a poesia, afinal, é inútil como a vida...

Chega. Esses foram alguns dos autores básicos de minha iniciação literária. Depois vieram muitos outros – Guimarães Rosa, Mário Palmério, Lobo Antunes, Philip Roth etc... – que ainda me acompanham no meu amadurecimento. No entanto, sei que nada se compara em grandeza e intensidade com tudo aquilo que ainda não li. A literatura é uma fonte mágica que, quanto mais se bebe, mais seca fica a garganta. Quanto mais livros devoramos, mais famintos ficamos. Quanto mais caminhamos, maior o labirinto..

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Observacao Relevante


E o melhor minha sombra é muda...

Nuno Judice



NO CAFÉ DA MITOLOGIA

Perto da porta, as três Parcas pedem chá
e bolos. O criado mostra-lhes o casaco: o botão
pendurado por um fio, a cair. A mais velha
puxa o botão, rebentando
o fio; a do meio enfia a linha na agulha; e
a terceira recose o botão no casaco. As três
Parcas ficaram sem chá nem bolos; e o criado,
como é óbvio, ficou morto.
(Mas o casaco ficou impecável).

Adoro esse poeta...e ele conseguiu unir em um so poema duas coisa que sou extremamente fascina, apaixonada: mitologia e poema e no fim temos um resultado no minimo inusitado!

PRECISO DE ALGUÉM


Que me olhe nos olhos quando falo.
Que ouça as minhas tristezas e neuroses com paciência.
Preciso de alguém, que venha brigar ao meu lado sem precisar ser convocado; alguém Amigo o suficiente para dizer-me as verdades que não quero ouvir, mesmo sabendo que posso odia-lo por isso.
Neste mundo de céticos, preciso de alguém que creia, nesta coisa misteriosa, desacreditada, quase impossivel de encontrar: A Amizade.
Que teime em ser leal, simples e justo, que não vá embora se algum dia eu perder o meu ouro e não for mais a sensação da festa.
Preciso de um Amigo que receba com gratidão o meu auxílio, a minha mão estendida.
Mesmo que isto seja pouco para as suas necessidades.
Preciso de um Amigo que também seja companheiro, nas farras e pescarias, nas guerras e alegrias, e que no meio da tempestade, grite em coro comigo:
"Nós ainda vamos rir muito disso tudo"
Não pude escolher aqueles que me trouxeram ao mundo, mas posso escolher o meu Amigo.
E nessa busca empenho a minha própria alma, pois com uma Amizade Verdadeira, a vida se torna mais simples, mais rica e mais bela...
Charlie Chaplin